sexta-feira, 29 de abril de 2016

A arte de educar


Por Clara Nascimento

"É preciso devolver ao povo em forma de arte" (Solano Trindade)

Em 2008, recebi a incumbência de fazer dar certo a estreante oficina de teatro da organização, antes oferecida só aos mais jovenzinhos. A responsabilidade era grande e a vontade de fazer dar certo também! Dela destaco Willian, o vilão do nosso primeiro espetáculo, que anos depois tornou-se jovem aprendiz!

Pude, nesse primeiro ano, quebrar muitos paradigmas com meus intermináveis (e inéditos) gritos e crianças descalças... 

Os desafios foram aumentando e a oficina também, agora existem todos estes projetos: poesia, música, trava-línguas... mais pés no chão... Sonho de Uma Noite de Verão...
Conheci João Victor, Caio, Douglas, Nadia, Erick, Vitão, Gisele; todos futuros aprendizes que fizeram bonito em seus contratos e me deram muito orgulho!

Vi tantos outros alunos calados, retraídos, tímidos e rebeldes, conseguindo se apresentar, falar em público, superar a tal timidez e se sentirem um pouco mais apoderados, afinal a palavra tem poder transformador!

Aprendi muito em cada troca em sala de aula, nas construções simbólicas, nas discussões sobre como viver de sonho, no carinho recebido dos pais em cada reunião, nos "desaforos", nas desavenças, nas idas ao teatro, ao cinema, ao museu, nas tarefas, nas cenas, na rotina!

As coisas foram melhorando ainda mais e eu fui me construindo educadora, graças ao suporte de uma equipe que foi se moldando, estudando, se integrando, o que nos levou a lugares lindos juntos!

Paraty, Cananeia, Brasília...

Aprendi que posso ser assustadora, mas também inspiradora e que trabalhar com jovem requer energia, criatividade, amor pelo que faz e pulso, muito pulso.

Aprendi que tenho eterna vocação de aprendiz e sou só gratidão por cada menino e menina que permitiu que eu me tornasse, de fato, educadora, multiplicadora e, antes de tudo, mais humana.

Essa será uma experiência que levarei para toda vida, assim como o Cepac será sempre a minha casa!


Clara é atriz e historiadora, atuou no Cepac como instrutora de Expressão.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Oásis


Por Renata Theil

Costumo falar em público com muita frequência, tanto em inglês quanto em português, e durante meus mais de 20 anos de carreira nunca me faltaram palavras. Tenho especial prazer de falar sobre coisas que acredito e sorte de poder fazer isso com frequência.

Ontem (2 de dezembro, dia da apresentação da Retrospectiva Cepac 2015), apesar de ter sido meu pior discurso, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Claro que fica para mim a frustração de não ter podido dizer o quanto me sinto honrada de participar (um pouquinho que seja) dos projetos incríveis do CEPAC. Os jovens que recebemos estão se desenvolvendo, graças ao excelente trabalho feito por vocês. Embora acredite que teremos outras oportunidades, gostaria de registrar a minha experiência por escrito.

Neste final de ano marcado pelo pessimismo, intolerância, incompetência e extremo descaso pelo próximo e pela coisa pública, tive a sorte de estar, por uma manhã, num oásis de competência, cidadania, dedicação, amor pelo próximo, paixão pela educação e tudo mais que se pode se desejar que um ser humano experimente, especialmente nesta fase tão especial que é o início da vida.

Já admirava o trabalho de vocês, mas essa experiência me fez acreditar novamente que é possível transformar o mundo. Ao ver o depoimento dos jovens, o carinho com que eles se dirigem aos profissionais do Cepac; as apresentações em que o orgulho e a confiança brilhavam mais do que a performance, o respeito, admiração e a torcida de cada criança e adolescente na apresentação dos seus colegas... fiquei realmente maravilhada.

Vi crianças às quais vocês entregaram o maior tesouro de todos: a capacidade de acreditar que é possível transformar sonhos realidade, com esforço e dedicação. Acredito de verdade que o que vocês estão proporcionando a elas é uma oportunidade que transformará suas vidas para sempre e isso mudará o mundo.

Obrigada por me proporcionar esta experiência, obrigada por renovar a minha fé e obrigada por fazer o nosso mundo melhor.


Renata Theil é CFO (Chief Financial Officer - Diretora de Finanças) da LeasePlan do Brasil, parceira do Cepac desde 2014.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

De convites, chegadas e boas ondas


Por Juracy Ângelo Ribeiro


Recebi em março um “convite" da Clara, uma amiga que estimo e nutro apreço. Quando agradeci o fato de ter sido lembrada e recomendada, tinha uma vaga ideia da “convocação” e resolvi aceitar o desafio. Mesmo com o medo iminente (pois não tinha experiência de atuação no terceiro setor), sim senhores, eu topei!

Topei, aceitei... um topei cheio de outros sinônimos: aceitação, encontro, esbarrão.  Demos licença poética ao verbo...

Sabem com o que eu topei de frente?

Com jovens, com o legítimo desejo de conquistar o que lhes é de direito, dispostos a desbravar, vivenciar e começar a imprimir em suas vidas o que conhecemos como caminho.

Presenciei momentos de catarse coletiva, acionada e disparada pela emoção e transbordamento de choro impregnados no ar, graças a um exercício na aula de expressão, em que os jovens traziam objetos que eram importantes para eles e os descreviam. A emoção foi arrebatadora e ainda reverbera! A cada depoimento meus olhos marejavam, eu via e sentia, num exercício de telepatia e empatia (penso que o neologismo nesse caso é "tele-empatia"), o que cada um, em sua plena juventude, extravasa: sensibilidade, autenticidade e anseio de mudar o "traçar do seu próprio destino"; mudança para o lado das coisas boas, rumar e continuar na caminhada promissora.

Ora, não se deve negar a ninguém o que lhe cabe por direito. Essa é a essência das nossas tão almejadas vitórias pessoais e profissionais. Penso que minha missão, como educadora, neste momento é instigar e fomentar positivamente esses jovens, para que suas ideias e anseios fluam livremente e se tornem sonhos e objetivos alcançados com dignidade.

Bem, particularmente falando, posso não ter plena assertividade do que quero, pois sou falível e ainda estou em fase de “construção e manutenção" da caminhada, mas sei perfeitamente que quero poder continuar nesta "onda boa" em que fui acolhida, jovial, do gesto, do abraço, da palavra, da escuta, da atenção, da expressão. Isto se aprende, se pratica, se ensina também.

Tenho a intuição e o desejo verdadeiro que nossos caminhos no Cepac sejam pavimentados de ideias boas, que suavizem este momento que vivemos, buscando e atraindo para cada um de nós o melhor da vida. Que em nossos caminhos, hoje e daqui por diante, não percamos a capacidade de nos emocionarmos, que a vitalidade e jovialidade transbordem, nos topem de frente, nos encontrem, esbarrem, ocorram, atinjam, para que continuemos com a essencial vitalidade em nossos corações e, então, possamos agradecer, inspirar e amar ainda mais.



Juracy é Gestora Ambiental, mas atua há 10 anos e está em cartaz aqui no Cepac nas oficinas de Expressão do Curso Profissionalizante.