segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O que é e o que faz o CMDCA de Barueri?


Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Barueri foi criado pela Lei Municipal nº1976 de 12 de agosto de 2010, é um órgão deliberativo de políticas públicas e privadas e controlador de ações de atendimento e promoção do bem-estar social de crianças e adolescentes no município. É uma instituição paritária, composta de membros da sociedade civil organizada que representam entidades de atendimento e de defesa das crianças e dos adolescentes e por representantes do poder público.

O que faz o CMDCA
• Delibera sobre política de atendimento, promoção e defesa dos direitos da infância e adolescência no município de Barueri, tendo como base o cumprimento das obrigações e garantias de seus direitos fundamentais e constitucionais;
• Fiscaliza as ações governamentais e não governamentais no município, relativo ao cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes;
• Capta recursos e faz a gestão do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Formula o plano de aplicação e avaliação do uso dos recursos.

Saiba um pouco mais sobre o FUMCAD de Barueri.


O Que é o FUMCAD?








Como o dinheiro do FUMCAD é investido?

Os recursos doados financiam projetos sociais voltados para crianças e adolescentes do município. Tais projetos são apresentados por entidades situadas em Barueri ao CMDCA, que submete as propostas a uma análise criteriosa para que os recursos sejam corretamente aplicados, em prol do desenvolvimento e do respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes de Barueri.

As doações podem ser feitas diretamente ao FUMCAD ou para uma das entidades cadastradas pelo CMDCA. Na hora de destinar o Imposto de Renda, também é possível escolher diretamente para qual entidade ou projeto deseja direcionar os recursos.

Porque Destinar?

·         Para investir no futuro das crianças e adolescentes da região.

·         Para combater a exclusão social e a violência.

·         Para exercer a cidadania e a responsabilidade social.

Em Barueri:
  • São 5.187 crianças e adolescentes atendidas
  •  19 Entidades Sociais cadastradas no CMDCA de Barueri.

Áreas prioritárias de atuação do CMDCA de Barueri:

·         Programas de acolhimento de crianças e adolescentes.

·         Programas e projetos de capacitação e formação profissional.

·         Campanhas educativas  que promovam a defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

·         Programas e projetos de prevenção ao uso indevido de drogas.

●Programas e projetos de fortalecimento de vínculos. 

●Enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.      

●Incentivo à aplicação da Lei da Aprendizagem Profissional.

Saiba como destinar seu Imposto de Renda:

É muito fácil doar, basta seguir 3 passos:

1.    Fale com o contador e veja qual o valor do Imposto de Renda a pagar.

2.    Preencha e imprima o boleto de destinação no site do CMDCA e deposite o valor na
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agência. 0738 
 OPERAÇÃO 006 
 Conta Corrente:  0026 – DV 6

3.    Informe o CMDCA sobre a destinação. O Conselho emitirá um recibo.


Faça parte deste movimento em prol das crianças e dos adolescentes!

História do Cepac - Linha do Tempo.

 


1993 - Início do atendimento às crianças no abrigo.

           - Apoio aos Centros Comunitários vizinhos.

1994 e 1995 - Construção da sede do Cepac.

1996 - O Cepac obtém grande avanço ao receber o título de Utilidade Pública Municipal.

1997 - Registro provisório no CMDCA de Barueri.

           - Parceria com a Fundação Orsa nos cursos pré-profissionalizantes.

           - Primeiro convênio com a prefeitura municipal de Barueri para desenvolver projeto de motivação escolar.

1998 - Início do projeto Horta Comunitária em parceria com a C&A.

           - Exposição de fotos dos jovens e crianças atendidos no Cepac percorre a Alemanha, Holanda, Suíça e França.

1999 - O Cepac obtém o Título de Utilidade Pública Estadual, trazendo ainda mais credibilidade ao trabalho desenvolvido pela organização.

          - Implantação do curso Mídia e Cidadania em parceria com Ruth Cardoso , primeira-dama na época.

2000 - Visita da rainha da Suécia e parceria para o projeto Cultura e Cidadania da WCF Brasil.

          - Conquista do Título de Utilidade Pública Federal. 

          - Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS).

  2001 - Registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).

           - Registro na Diretoria Estadual de Desenvolvimento Social (DRADS).

           - Registro formal no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

           - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS).

          - Início da parceria com a DuPont do Brasil para contratação de jovens aprendizes. 

           - Parceria com governo do Estado para financiamento do projeto Espaço Amigo (hoje nomeado Semeando o Futuro).

           - Construção e implantação do ambulatório odontológico e médico.

           - Assume o novo presidente Sr. Jacques Boutaud. 

           - Implantação de auditoria externa, realizada voluntariamente pela empresa Deloitte.

2002 - A Associação Caminhando Juntos, hoje United Way Brasil, contribui com a ampliação do edifício-sede do Cepac.

          - Início do curso de auxiliar administrativo para jovens de 16 anos em parceria com a Fundação Kellogg’s.

          - Início da parceria com a empresa Sensormatic do Brasil Eletrônica Ltda.

  2003 - Ocorre a alteração do nome da organização.

         - Alcança-se o significativo número de 420 atendimentos a crianças e adolescentes.

         - Início da parceria com o Instituto Cândido de Desenvolvimento Social.

2004 - Neste ano iniciam-se parcerias por meio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

          - É criado o Bazar Solidário para arrecadar fundos para manter o Cepac.

          - O Cepac consegue divulgação na mídia: revista Filantropia Voluntariado e Terceiro Setor.

2005 - Campanha CorAção, em parceria com Anica Beara.  

                - Parceria com a Escola Internacional de Alphaville.         

2006 - Assume a presidência o Sr. Fabiano Amarante Mendes.

 - Parceria com a Petrobras para o projeto Cultura e Cidadania.

2007 - Regulamentação do Programa de Aprendizagem no Ministério do Trabalho.

           - Início de curso profissionalizante na área de logística

2008 - Inicia o projeto Sementinhas do Bem, com apoio do Banco Itaú BBA.

2009 - Ampliação de parcerias com empresas da região para contratação de aprendizes.
- Petrobras apoia o projeto Sementinhas do Bem.

             - Início da parceria com as empresas Polimix e La Serenissima.

2010 - Adequações à Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais

          - O Cepac assume o acolhimento institucional para adolescentes. É a volta do abrigo.

          - Parceria com o Canal Futura.

 2011 - O Programa Aprendiz Cidadão passa por reestruturação para atender melhor o número crescente de aprendizes.

          - Início da parceria com o Colégio Internacional de Alphaville.

2012 - Ocorre uma nova reestruturação do Programa Aprendiz, dessa vez referente à adequação a nova Lei de Aprendizagem.

          - Aumento significativo no número de aprendizes.

          - Início da parceria com a Fatec de Barueri – curso de Inglês.

2013 - Celebrações dos 20 anos do Cepac e lançamento do livro comemorativo.
          - Parceria com  organização United Way
           - Jantar 20 anos do Cepac





 


História do Cepac através dos anos.


 

Em 1993 o atendimento às crianças teve início de maneira improvisada. Os jovens foram abrigados em casas que não tinham a estrutura necessária para o atendimento. Os móveis foram doados por amigos e pessoas da igreja que os fundadores frequentavam. Além do trabalho com o abrigo, o grupo que desenvolvia o projeto apoiava o trabalho desenvolvido nos centros comunitários da região. Com o apoio dos Residenciais Alphaville 1,2 e 9, o Cepac conseguia atender aproximadamente 265 crianças nos seguintes centros comunitários:

          Comunidade Nossa Senhora de Fátima: 65 crianças;

          Comunidade Santa Cecília: 55 crianças;

          Comunidade São Vicente de Paulo: 45 crianças;

          Comunidade Sagrado Coração de Jesus: 60 crianças;

          Comunidade Nossa senhora aparecida: 40 crianças.

Entre 1994 e1995 foi construída a sede do Cepac. Na época os diretores da organização se juntaram para comprar o terreno; cada um doou o equivalente a R$ 1.000,00 atualmente, contabilizando 16 membros que reuniram 16 mil reais. O Instituto C&A e a gráfica Tecnoformas contribuíram com um valor para a construção do prédio, que abrigaria o projeto desenvolvido para crianças e adolescentes que moravam nas ruas. A congregação do Espírito Santo ajudou com a aquisição de móveis e equipamentos.

A intenção inicial era que o projeto pudesse atender também a comunidade em cursos rápidos de apoio escolar e iniciação ao trabalho. O prédio foi planejado tendo em vista espaço para reuniões com os educadores, salas de aula e biblioteca. Na época, o abrigo tinha oito adolescentes que moravam na primeira casa alugada e frequentavam as escolas da região. Havia um casal social que se responsabilizava pelos jovens nesse local.

No ano de 1996, o Cepac conseguiu um grande avanço ao receber o título de Utilidade Pública Municipal. Esta foi a primeira titularidade que a organização obteve e ajudou a dar credibilidade para desenvolver parcerias importantes na manutenção e continuidade do projeto. Dois anos depois, o Cepac conseguiu o registro provisório no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Barueri. Foi a primeira das organizações sociais do município a ter esse registro. O Cepac era e ainda é envolvido com os Conselhos de Direito municipais. Este pioneirismo no engajamento nos movimentos sociais ligados à causa da criança e do adolescente em Barueri mostra como a organização foi precursora e ajudou o Cepac a conquistar mais parcerias e credibilidade. Seu registro no CMDCA é, sugestivamente, número 001.

Em 1997, o Cepac, que continuava atuando nos Centros Comunitários, passou a atender também crianças e adolescentes de 7 a 13 anos. O objetivo era evitar que eles se tornassem crianças de rua, proporcionando alimentação, orientação cívica, religiosa e reforço escolar. O registro no CMDCA facilitou a efetivação de parcerias importantes para a organização, como a união com a Fundação Orsa. Essa parceria visava proporcionar atendimento aos adolescentes de 12 a 17 anos nos cursos pré-profissionalizantes de Introdução à Microinformática, Técnicas de Escritório, curso básico de Eletricista Instalador e reforço escolar. Todos eram ministrados na sede recém-construída, que funcionava como abrigo no segundo andar e cursos no primeiro. A primeira turma dos cursos pré-profissionalizantes teve 49 formandos. Outra grande conquista foi o estabelecimento de um convênio com a prefeitura municipal de Barueri para desenvolver um projeto de motivação escolar para os alunos dos cursos que apresentavam maior dificuldade de aprendizado.

Também nesse ano, o Cepac recebeu a assistente social alemã Andrea Schullz. Estudante da Universidade Fechochsahule Kõln , ela veio ao Brasil para elaborar uma tese sobre crianças e adolescentes moradores de rua. A intenção era comparar causas e consequências que os levaram para as ruas, traçando um paralelo entre os dois países. O Cepac foi o escolhido por ter sido indicado pela Congregação Divino Espírito Santo, que apoiava as ações da organização na época. Os fundadores e alguns diretores do Cepac estavam envolvidos nesta congregação e frequentavam a igreja, que era pastoreada por um padre alemão. Ao término dos seis meses de pesquisa, Andrea Schullz concluiu que o que leva as crianças para a rua, tanto no Brasil como na Alemanha, é a violência e os problemas econômicos.

No final desse ano, o Cepac voltou a receber um estudante alemão, Tobias Rudolff, morador da cidade de Rottemburg . O jovem acompanhou por seis meses os trabalhos realizados, e novamente o intercâmbio foi intermediado pela Congregação do Espírito Santo da Alemanha, que mantinha contato com o Cepac na época.

Por ter articulado esta parceria com a Congregação, o  Cepac levou à Alemanha uma exposição de fotos que retratavam a vida das crianças e dos adolescentes carentes no Brasil. O fotógrafo Edu Venâncio retratou o abandono e a desnutrição dos atendidos na casa, e a exposição percorreu outros três países: Holanda, Suíça e França. O Cepac desempenhou um importante papel ao representar a realidade brasileira e o trabalho feito com crianças e adolescentes carentes no país. A exposição emocionou e sensibilizou aqueles que a viram. O trabalho que se estava fazendo ultrapassou as fronteiras brasileiras e obteve reconhecimento internacional nesse ano.

Em seguida, o Cepac recebeu uma comissão de agentes pastorais da Congregação do Espírito Santo da Alemanha, que vieram conhecer as diferentes realidades sociais brasileiras. Visitaram uma casa em Alphaville, e conheceram os projetos que o Cepac estava desenvolvendo na comunidade do Parque Imperial. A comissão tinha como objetivo captar as experiências do trabalho social desenvolvido com as crianças em situação de risco pessoal e social e levar esse conhecimento para seu país.

Em 1998, na organização do projeto, surgiu a ideia de fazer uma horta comunitária. A C&A foi parceira e financiadora desse projeto . A ideia inicial era fornecer os alimentos colhidos para restaurantes da região, e ensinar aos jovens conceitos de ecologia e noções sobre produção de alimentos.

Nesse ano, o Cepac participou de um concurso instituído pela Comunidade Solidária, instituição coordenada por Ruth Cardoso, na época primeira-dama do país, e foi aprovado. O curso de seis meses denominado Mídia e Cidadania contava com 30 matriculados, dos quais 27 concluíram o curso. O objetivo principal foi aprender a desenvolver uma leitura crítica dos meios de comunicação e participar de aulas sobre cidadania.

Em 2000, o Cepac recebeu uma visita nobre, da rainha da Suécia, cujo objetivo era conhecer os projetos da organização. Silvia Renate  Sommerlath veio ao país lançar o Instituto World Childhood Foundation (WCF) no Brasil. Por intermédio e indicação do Sr. Marcos Kisil, presidente da WCF na época, o Cepac foi a organização social escolhida entre as 12 apoiadas pela WCF para receber a visita da rainha Silvia. Ela fez importantes declarações sobre o Cepac após a visita, e a partir daí a organização conseguiu o financiamento para o projeto Cultura e Cidadania da WCF Brasil. A Fundação Abrinq também se juntou a este projeto, propiciando um aumento no número de jovens atendidos.

“Vocês estão de parabéns pelo profissionalismo desenvolvido no Cepac.” (Rainha Silvia, da Suécia)

Sempre foi importante contar com a ajuda de empresas como Rede Pão de Açúcar e Adidas, que doavam produtos que eram usados na alimentação dos jovens e os outros bens, vendidos nos bazares promovidos pela organização. Nesse ano, também tivemos o financiamento da empresa Lagrimas, que destinava um valor mensal para sustentar os projetos. Outra grande vitória nesse ano foi obter o Título de Utilidade Pública Federal, um importante certificado dado a organizações que comprovam desenvolver um bom trabalho. O então deputado federal na época, Sr. Rubens Furlan, interveio a favor do Cepac em Brasília para agilizar a finalização do processo da concessão do Título. É fundamental ter conquistado registros e títulos anteriores para chegar a este nível federal.

A inscrição no Conselho Municipal de Assistência social (CMAS) também aconteceu em 2000. Logo após a inscrição, o Cepac deixou de atender como abrigo e redimensionou o foco do atendimento. Os jovens acolhidos foram encaminhados para outros abrigos da região, que deram continuidade ao atendimento dos casos.

Em 2001, o Cepac obteve conquistas importantes, incluindo o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Este é um importante título concedido a organizações idôneas, que comprovem por um longo processo de avaliação a boa execução do trabalho social. Este certificado passou a isentar o Cepac do pagamento da cota patronal do Instituto Nacional do Seguro

Social (INSS). Iniciamos também a parceria com a empresa DuPont do Brasil, que contrata jovens para o primeiro emprego.  O projeto de horticultura e jardinagem, com o apoio do Instituto C&A, continuou funcionando e sendo um sucesso. A empresa HP e a Daimler Chrysler do Brasil apoiaram os projetos com doações pontuais.

O projeto Cultura e Cidadania passou nesse ano a atender também os adolescentes, e conseguiu aumentar o número de atendidos na região.  O Núcleo Infantil e Juvenil contava então com 60 crianças e 120 adolescentes. Foi um ano de inovações, com o início dos atendimentos aos adultos da comunidade, com o projeto piloto chamado de Solarte, que mesclava solidariedade com arte. A proposta era oferecer cursos profissionalizantes, inicialmente atendendo 20 alunos. O objetivo do projeto era a formação de núcleo de capacitação profissional artesanal com couro, para trabalhar o resgate da autoestima, o incentivo à criação, a geração de renda e a valorização dos adultos da região.

O projeto de Horticultura e Jardinagem também foi aberto para maiores de 21 anos. Mudou o foco do atendimento, e passou a se chamar Jardinagem e Paisagismo. A intenção na época era formar os pais de alunos para o trabalho nessa área, em Alphaville e cercanias, devido aos campos de atuação nos condomínios da região.

Também teve início a construção e implantação do ambulatório médico, que contou com o apoio do Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário de Barueri e do Hospital Albert Einstein de Alphaville. Nessa época, médicos vinham do Hospital para atender a comunidade aos sábado.

O ambulatório odontológico foi implantado na mesma época. Isso só foi possível graças a uma doação feita por um dos membros do Conselho da organização, o Sr. José Antônio Bortoluzzo Netto.

“Envolvi-me com o Cepac e com esta ideia por querer apoiar o então presidente do Conselho Administrativo, meu amigo Tibúrcio, pessoa que me inspirou muita confiança e admiração pelo esforço e empenho para fazer a organização funcionar. Acredito ser de suma importância que os jovens tenham um acompanhamento dentário. Nesta fase da vida, é muito mais provável que eles desenvolvam problemas dentários do que de saúde, e ainda há tempo para revertê-los.” (José Antônio Bortoluzzo Netto)

O consultório odontológico permanece até hoje, financiado e acompanhado de perto por José Netto. 

Outro fato marcou esse ano: a troca da Diretoria. Assumiu o novo presidente, o Sr. Jacques Boutaud. Novos rumos e novos direcionamentos surgiram para a organização. Foi implantada a auditoria externa, feita na época voluntariamente pela empresa Deloitte. Essa parceria agregou mais transparência na prestação de contas do dinheiro empenhado nos projetos, dando mais confiabilidade aos parceiros.

Também teve início a parceira com o Instituto Presbiteriano Mackenzie. O Cepac passou a ser uma das organizações para as quais a escola destinava doações de suas campanhas, além de promover o intercâmbio entre os alunos de bairros diferentes da cidade.

Em 2002, a Associação Caminhando Juntos, hoje United Way Brasil, contribuiu com a ampliação do prédio onde fica a sede do Cepac. Os projetos estavam crescendo, e o espaço não acomodava mais os atendidos. A reforma adequou o espaço para a continuidade do atendimento dos cursos profissionalizantes. Teve início o curso de auxiliar administrativo, para jovens a partir de 16 anos. A Fundação Kellogg’s retomou  a parceria e financiava este projeto.

Também teve início uma parceria com a empresa Sensormatic do Brasil Eletrônica Ltda., uma forte parceira, que continua contratando jovens aprendizes e fazendo doações financeiras. O sócio fundador da empresa, Ruy Amaral Chaves, tornou-se membro da Diretoria do Cepac e atua efetivamente no direcionamento das ações da organização.

O Projeto Cultura e Cidadania ampliou novamente o número de atendidos, e passa a suprir agora 240 crianças e adolescentes, sendo 120 no núcleo infantil e 120 no núcleo juvenil.

Nessa época, também foram implantados os cursos de xadrez e coral como atividade extra, direcionando o tempo ocioso dos alunos para algo construtivo. Também tivemos a participação de voluntários da organização Criança é Vida, projeto da empresa Schering do Brasil. As voluntárias da comunidade de Alphaville eram coordenadas por Dona Glorinha, e os médicos do projeto as capacitavam, o que multiplicava o conhecimento e permitia a elas compartilhar informações e ensinamentos com os pais dos alunos.

Em 2003 o Cepac mudou o nome, e passou a se chamar Associação para Proteção das Crianças e Adolescentes. A sigla Cepac foi mantida tendo em vista que havia se tornado o nome pelo qual a organização era popularmente conhecida na região. A mudança de nome veio ao encontro de novos rumos pensados para a organização, que passava a enfocar seu atendimento na linha da proteção das crianças, trabalhando na prevenção da situação de risco e contribuindo para a formação de jovens objetivando a entrada no mundo do trabalho.

Houve aumento significativo no número total de atendimentos, chegando a 420 crianças e adolescentes. O Cepac passou atender 100 jovens nos cursos profissionalizantes. O projeto se chamava Plantando Novos Rumos, e a Petrobras foi a parceira que possibilitou o desenvolvimento desse projeto.

Nesse ano, teve início a parceria do Cepac com o Instituto Cândido de Desenvolvimento Social. Esta parceria se mantém até hoje, e tem sido um grande suporte na sustentabilidade dos projetos desenvolvidos pela organização. O Cepac foi uma das primeiras ONGs a obter o apoio desse instituto, que arrecada doações de pessoas físicas e encaminha para as organizações que desenvolvem seriamente o trabalho social.

No ano de 2004, se iniciaram as parcerias através do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Os projetos desenvolvidos passaram a receber uma destinação do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Este foi um importante passo para a organização, foi possível buscar o apoio de empresas, que por sua vez puderam destinar até 1% do valor do Imposto de Renda para apoiar os projetos do Cepac. A Gráfica Burti iniciou uma parceria, e fazia doações mensais da venda de aparas (sobras de papel da gráfica). Houve logo em seguida um aumento no atendimento no projeto Cultura e Cidadania, que passou a atender então 300 jovens.

O projeto Criança é Vida, em parceria com o Hospital Albert Einstein, continuava mobilizando os pais dos atendidos nos projetos, e chegou a atender cerca de 150 pais em suas reuniões de orientação.

Neste ano surgiu o Bazar Solidário, encabeçado pela Sra. Mazda Boutaud, esposa do presidente na época, Sr. Jacques. Mazda mobilizava os moradores do Residencial 2 a doarem o que não necessitavam mais. Eram arrecadados utensílios domésticos, móveis, roupas e uma infinidade de coisas que eram vendidas a preços muito acessíveis às pessoas da comunidade. A empresa Granero era parceira deste projeto e fazia o transporte das doações. Este importante projeto ajudou na sustentabilidade do Cepac, e também à comunidade em geral, que tinha produtos de qualidade a preços muito acessíveis. Foi também o ano de início do projeto Plantando Novos Rumos, que desenvolvia oficina profissionalizantes para adultos.

Em 2005 novas empresas se juntaram ao trabalho que o Cepac estava desenvolvendo, como a gráfica Tecnoformas, empresa de Heloísa e João Bernardo Guimarães, fundadores do Cepac. Eles apoiavam os projetos desde sua fundação, com doações pontuais e apoio administrativo, e a partir desse ano passaram a apoiar também financeiramente, revertendo o valor da venda de aparas (restos de papéis) para o Cepac.

A empresa Santher doava produtos de uso diário. Esta parceria ajudou na sustentabilidade do projeto. A parceria foi conseguida pela intervenção do Sr. Philippe Boutaud, filho do presidente na época Sr. Jacques. Outras empresas como a Kalunga e DM Indústria Farmacêutica fizeram doações pontuais que foram importantes para manter o funcionamento da organização.

Nesse ano aconteceu uma campanha em parceria com a apresentadora Anica Beara chamada Cor Ação. Neste evento arquitetos e decoradores da região foram mobilizados por ela para mobiliarem e darem vida aos espaços da organização. Foi um movimento muito importante, que deixou a organização mais adequada para receber os alunos e estimulou a sociedade local a se envolver com a causa social.

Em 2006 o Cepac inicia a parceria com a Petrobras, em que a empresa destinava um valor para contribuir com a sustentabilidade do projeto Cultura e Cidadania. A parceria durou três anos, tempo máximo de apoio da empresa a qualquer projeto social. A empresa Millipore Indústria contribuiu com doações de produtos.

Em 2007 novas parcerias foram estabelecidas, fortalecendo ainda mais o trabalho que vinha sendo feito. A Direção da organização mudou, e os Conselhos administrativo e financeiro passaram a atuar de maneira mais presente junto aos projetos. A empresa C&A investiu na capacitação membros da Diretoria. Foi um ano em que os direcionamentos do projeto foram repensados, e os membros destes Conselhos se concentraram em pensar sobre os novos rumos da organização.  Os planejamentos e prestações de conta foram esquematizados, facilitando a transparência nas informações e documentação da organização.

As empresas Planac, Siemens, Plasco, Gonçalves S/A e a Sociedade Bíblica do Brasil fizeram doações pontuais de produtos, facilitando o andamento dos projetos e a ajudando na sustentabilidade dos mesmos.

Foi implantado o curso de Instalador de Sistemas de Segurança para jovens de 15 a 17 anos, em parceria com o CMDCA de Barueri e através de destinação pelo FUMCAD e do Instituto Cândido de Desenvolvimento Social. O projeto durou um ano e formou cerca de 20 jovens.

Neste ano houve um avanço muito importante em relação aos projetos desenvolvidos. O Cepac regularizou o encaminhamento dos jovens para o mercado de trabalho nas empresas da região. A organização foi inscrita no Ministério do Trabalho e foi criado o projeto Aprendiz Cidadão. A empresa Sensormatic do Brasil começou a contratar aprendizes neste ano, e a empresa DuPont do Brasil também passou a contratar os jovens neste formato, tendo em vista que anteriormente já eram feitos encaminhamentos de jovens para trabalhar na empresa de maneira informal. O registro do projeto e adequação do mesmo de acordo com a Lei propiciou a busca de novas parcerias e mais oportunidades para os jovens da região.

Ainda em 2007, iniciamos o curso profissionalizante na área de Logística, tendo em vista as oportunidades que surgiam no ramo. Muitos centros de distribuição estavam instalados na região, e havia perspectiva de que muitos outros viriam.

Em 2008 a loja do McDonald’s de Barueri também contribuiu, destinando ao Cepac sobras de papelão, que eram vendidos e o dinheiro arrecadado era revertido para os projetos da entidade.

Neste ano o Cepac passou a atender os pré-adolescentes de 11 anos no projeto Sementinhas do Bem, ampliando o alcance dos atendidos no bairro. E também evitando que estas crianças, que estavam em situação de risco pessoal e social, ficassem nas ruas. Este projeto foi possível pelo apoio do Banco Itaú BBA.

Contudo o mais importante reconhecimento este ano foi o Prêmio Organização do Bem – dado pela Prefeitura Municipal de Barueri às organizações que desempenham um bom papel durante o último período anual.

Em 2009 houve um grande aumento das parcerias com empresas da região para contratação de aprendizes. As empresas Conexão de Imóveis, Opcional Engenharia e Construções, Grafons e Lubritech do Brasil se juntaram à organização, dando oportunidade para os jovens formados pelo Cepac de começarem sua vida profissional.

Nesse ano houve uma doação pontual significativa da Pro Vida – Central Geral do Dízimo. Encaminharam computadores para montagem da sala de informática e de pesquisa. Foi uma parceria muito significativa, porque possibilitou um melhor atendimento aos jovens.

O Cepac passou a incluir em seu calendário anual o evento Cepac em Ação, cujo propósito era abrir as portas da organização para a comunidade, oferecendo serviços gratuitos na área da beleza, saúde e recreação para família. A intenção era criar um momento em que os familiares estivesse juntos dentro da organização, e assim promover a convivência e o fortalecimento de vínculos. Este evento já está na sua 4ª edição e a cada ano se aperfeiçoa.

Firmou-se a parceria Cepac e Petrobras. A empresa destinava um valor para contribuir com a sustentabilidade do projeto Sementinhas do Bem. A parceria durou três anos, tempo máximo de apoio da empresa a qualquer projeto social.

Firmou-se também, parceira com as empresas Polimix e La Sereníssima que passaram a destinar através do FUMCAD um valor significativo que foi investido no projeto Profissionalizante.

E 2010 foi um ano de grandes desafios. O Cepac precisou se adequar à nova lei que passaria a reger como as organizações sociais deveriam atuar. Era a Tipificação. Foi um tempo de adaptações e readequações que contribuiu para que os projetos estivessem cada vez mais alinhados com o que as leis exigem. Por sua história de envolvimento com as questões sociais, com os conselhos de direitos e por seu histórico de comprometimento com o que a lei exige, o Cepac foi rapidamente se adequando e regularizou em pouco tempo os projetos.

A seleção dos atendidos passou a obedecer a critérios sociais, e a prioridade passou a ser crianças e adolescentes que estavam em situação de risco pessoal e social. O nível de escolaridade não era mais exigido, e se o jovem não estivesse estudando, o Cepac orientava a família a matriculá-lo em uma escola para que ele pudesse permanecer no projeto. Outra mudança significativa foi relacionada aos projetos Sementinhas do Bem e Cultura e Cidadania, que passaram a ser um serviço único chamado de Semeando o Futuro.

Outro grande desafio foi assumir novamente o trabalho com abrigo. O município de Barueri fez a proposta para que o Cepac assumisse a coordenação do abrigo de adolescentes. Novamente a organização voltou às suas origens, e resolveu assumir com coragem e muita força de vontade este projeto desafiador. Durante o segundo semestre de 2010 a casa foi organizada e funcionários, contratados e treinados para receber os jovens no dia 31 de dezembro de 2010, quando oficialmente o abrigo do Cepac voltou à ativa.

Foi estabelecida uma importante parceria com a empresa C&A, que passou a contratar os aprendizes do Cepac. A C&A sempre esteve presente na história da organização, apoiando pontualmente na construção do prédio e na manutenção do projeto de jardinagem, e a partir desse ano passou a dar oportunidade para os jovens em sua inserção no mercado de trabalho. As empresas Warner Bros, Ecolab Brasil e Amway também passaram a fazer ações e doações pontuais, ajudando na sustentabilidade da organização.

Nesse ano, o Cepac iniciou uma parceria com o Canal Futura. Passou a receber materiais educativos produzidos de matérias de caráter social e informativo feitas por este canal de televisão. O Cepac passou a receber as maletas temáticas e usá-las para disseminar as informações e os conteúdos organizados pelo Canal Futura nas aulas de cidadania.

Em 2011 houve um aumento significativo no número de aprendizes contratados pelas empresas parceiras. Concomitante ao trabalho que o Cepac realizava, de preparação dos jovens para o mercado de trabalho e seu acompanhamento na condição de aprendizes, o Ministério do Trabalho passou a cobrar das empresas da região o cumprimento da Lei do aprendiz e contratação dos jovens. Algumas parceiras antigas passaram a contratar um número maior de jovens, como a C&A e a empresa DuPont do Brasil. E outras novas parcerias foram estabelecidas, dando oportunidade a mais jovens. A empresa Tramontina se juntou a este trabalho, contratando jovens aprendizes, e a empresa Lubritech do Brasil retomou a parceria com o Cepac. As empresas Schneider Electric, Mary Kay e Ecolab passaram a apoiar o Cepac em ações e doações pontuais.

Nessa época, vieram fazer parte do grupo de parceiros da organização o Colégio Pentágono e a Escola Internacional de Alphaville. O Colégio Pentágono oferecia atividades culturais ao grupo de jovens do Acolhimento Institucional. Já a Escola Internacional de Alphaville abriu a escola a um grupo de alunos selecionados pelo Cepac. Todas as sextas-feiras os jovens almoçavam no refeitório da escola, com os demais alunos. Logo depois, faziam aula de inglês com os estudantes do ensino médio que se voluntariavam neste bonito projeto, que se mantém até hoje. 

Em 2012, o Programa Aprendiz Cidadão passou por uma reestruturação para atender melhor o número de aprendizes, que estava em constante crescimento. Novas empresas se juntaram ao Cepac, apoiando na contratação de jovens aprendizes, como a Rittal, Recall, Brady. A empresa Ecolab passou também a contratar os aprendizes da organização.

A empresa Mary Kay escolheu o Cepac para promover um evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher. Todas as empresas Mary Kay no mundo fizeram este evento com organizações idôneas que estavam em seu entorno, e o Cepac foi o escolhido em Barueri para esta ação. As famílias foram atendidas em um programa que ofereceu serviços de beleza para as mães e recreação para as crianças.

O trabalho do Cepac também foi divulgado pela TV Alphaville no programa Gente que Faz. A história da organização e os projetos que oferece foram vinculados na imprensa local dando visibilidade ao projeto.

Em parceria com a C&A, o Cepac fez um importante bazar com 18 mil peças doadas pela empresa, vendidas a preços acessíveis à própria comunidade. Esta ação foi muito importante por levantar recursos que possibilitaram comprar equipamentos para melhorar o atendimento, como cadeiras novas para todas as salas, um carro para o Acolhimento Institucional Casa Glorinha e outros equipamentos que ajudaram no desenvolvimento dos projetos. Foi muito importante também por ajudar a comunidade a comprar produtos de qualidade a preços populares. A empresa Odebrecht também passou a apoiar as ações do Cepac, fazendo doações pontuais.

Iniciamos 2013 com o projeto de ampliação do espaço de atendimento, com uma área coberta onde será construído um espaço multiuso para atividades esportivas e culturais. Novos desafios se apresentam a cada ano, e o Cepac continua preservando sua essência de estar na comunidade para ajudar as crianças e adolescentes a ter um futuro melhor.

O Cepac cresceu junto com o bairro e se tornou parte dele. A vida das pessoas que moram nele foi sendo construída com a presença e influência constante da organização. Esta convivência tão próxima faz com que o Cepac pareça parte integrante da comunidade. É um bairro novo, com cerca de 30 anos, que cresceu rapidamente. E o Cepac acompanhou as mudanças sociais desta comunidade, e influenciou intensamente a vida de muitas famílias, que viram suas vidas direcionadas e positivamente transformadas. Foi até agora história de sucesso linear: 20 anos apoiando jovens a conquistarem seus sonhos.



 

História do Cepac - O início.




Em 5 de maio de 1993, um grupo de 33 moradores da região se reuniu no Salão Paroquial da Capela do Bom Pastor. Todos tinham em mente um único propósito: discutir e aprovar o estatuto da Associação Educacional para Adolescentes e Crianças, entidade que trabalhava em prol das crianças e adolescentes abandonados em Alphaville entre os anos de 1980 e 1990.

Esse foi o primeiro passo formal do Cepac, mas não constituiu o início de tudo.

Em 1978, mudaram-se para Alphaville um casal e seus quatro filhos. Vieram em busca de tranquilidade e de um local onde não precisassem morar em apartamento. Glória Rocha Ferreira, natural de Franca, SP, encantou-se com a situação ainda rural de Alphaville à época, e com o marido, José Tibúrcio Ferreira, escolheram um terreno alto e com uma bela vista. Meses depois se mudaram para o recém-construído condomínio. Apesar de se localizar fora da capital, permitia que os filhos fossem diariamente à universidade na cidade de São Paulo. Alphaville era um bairro pequeno, ainda quase sem estrutura e serviços, e no final da década de 1970 começavam a despontar pequenos comércios, como padaria e posto de gasolina. Tendo surgido como local com potencial de desenvolvimento, e com a chegada de novos moradores, todos com condição econômica favorável, Alphaville atraía como público flutuante também pessoas necessitadas. Entre elas, muitas crianças e adolescentes de origem simples, que atuavam como pedintes nesses pequenos comércios da região.

Maria Heloísa, uma das filhas do casal, sempre sensibilizada pela difícil situação que testemunhava, constantemente ajudava essas crianças e adolescentes. Além disso, levava para casa e dividia com os familiares sua preocupação e vontade de fazer algo a respeito. Esse auxílio era realizado como possível; várias pessoas colaboravam, porém informalmente. Diante dessa situação, José Tibúrcio ressaltou diante de amigos e da família a necessidade de se organizarem e realizarem algo consistente pelos jovens e pelas crianças que perambulavam por uma Alphaville recém-criada.

Principalmente dois jovens, de 11 e 13 anos, pernoitavam no frio sob a marquise de uma padaria, chamaram a atenção do casal Maria Heloísa e de seu marido João Bernardo Guimarães. Gildo e Gilson eram eventualmente expulsos de casa pela avó, e arrecadavam esmolas no bairro de Alphaville. João Bernardo sensibilizou-se com essa situação e deu abrigo a eles. Em poucos dias, o que era para ser uma ajuda se tornou um problema, já que a avó queria a todo custo reavê-los, e a história chegou à delegacia. Desse primeiro incidente tirou-se a lição de que, mais do que um abrigo, a ideia de ajudar jovens carentes tem que passar pelo ideal de agregação da família, e não de retirá-los do convívio familiar. No início, era muito forte o enfoque religioso, devido às crenças de todos os envolvidos, inclusive padres da paróquia de Alphaville. Conforme o Cepac foi se institucionalizando, essa vertente perdeu sua força devido às exigências de muitos certificados e formalidades que deveriam ser cumpridos. A abordagem religiosa e o lado pessoal foram deixados de lado, mas isso não impediu que no dia da inauguração do Cepac houvesse uma bênção de um padre católico.

Dona Glorinha atuou ativamente nesse início, ajudando a consolidar o projeto. Ela mobilizava voluntárias, organizava festividades, apoiando o marido, a filha e o genro em sua empreitada. Para ela, a motivação da família para fundar o Cepac foi o desejo de contribuir com a sociedade. José Tibúrcio sempre ressaltou a necessidade de se organizar, de realizar todas as benemerências com honestidade e consistência. Como a filha Maria Heloísa sabiamente define: “minha mãe colocava a mão na massa, já meu pai ficava com a parte burocrática”. Essa divisão foi o segredo de tamanho sucesso da organização.

“Nas bodas de 50 anos do nosso casamento, em vez  de presentes pedimos doações para o  Cepac.” (Glorinha Ferreira).

Uma mesma história pode ter vários começos. A história do Cepac não seria completa sem a iniciativa de um dos casais fundadores, Clarinda Takito e Fusao Takito. Ela, descendente de italianos e professora da Universidade de São Paulo (USP), ele, nascido de família japonesa e arquiteto aposentado. Casados há 46 anos, este casal juntou suas diferenças, afinidades e crenças para contribuir efetivamente na idealização, criação e manutenção de uma associação que pudesse gerar um futuro melhor para jovens e crianças que necessitavam de apoio.

Tudo começou porque uma criança de rua esmolava em frente da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, igreja que frequentavam em Alphaville. Por dias seguidos, Clarinda via esse mesmo menino, sempre disposto a dar um sorriso  quando a avistava. Gildo era esse garoto, ativo e bem-humorado, o mesmo menino que chamara a atenção de Heloísa e João Bernardo Guimarães. Sentindo-se questionados na vivência de sua fé cristã, começaram a conversar a respeito do assunto na igreja e em outras ocasiões. Do encontro desse grupo de pessoas foi se moldando a ideia de criar uma organização para atender às crianças e aos jovens que ficavam nas ruas da região. De um sonho de fé, perseverança, e também muito empenho, surgiu o que hoje é o Cepac.

“Através do contato com as crianças e adolescentes, conheci uma realidade diferente, e pude constatar que vale a pena acreditar sempre no ser humano, e nele investir amor, tempo e valores.” (Clarinda Takito)

No início dos anos 1990, o paulistano criado em Minas Gerais Iremar Antunes foi convidado pelo Padre Cristóvão, da Paróquia Bom Pastor, para falar sobre a experiência com meninos e meninas de rua em São Paulo. Vivendo longe da família desde os 14 anos, Iremar passou grande parte de sua adolescência realizando um trabalho voluntário com crianças num orfanato de padres em Belo Horizonte. Aos 17 anos foi trabalhar em outro orfanato (como eram chamados os acolhimentos institucionais antigamente) em Brasília. Quando concluiu o ensino médio, ingressou na Faculdade de Filosofia em São Paulo. Com os padres espiritanos[, iniciou um trabalho voluntário com meninos e meninas de rua, que durou três anos. Ao concluir o curso, tomou uma decisão radical: alugou uma casa e começou a abrigar meninos e meninas necessitados. Desse contato com a triste realidade dos menores, veio o convite para falar na Paróquia em Alphaville, igreja onde conheceu Dona Clarinda, Dona Glorinha, Heloísa e outros moradores engajados na causa dos menores.

Nesse oportuno encontro, surgiu a ideia de fazer um trabalho com os garotos que perambulavam não só pela padaria La Ville, mas também pelo centro comercial de Barueri, que aumentavam em número constantemente. Convidado por esse grupo de moradores, Iremar então iniciou os trabalhos do recém-fundado Centro Educacional para Adolescentes e Crianças, do qual foi presidente por sete anos.

O grupo mobilizou a comunidade, iniciando o trabalho no Jardim Mutinga,  em um imóvel alugado. Era uma casa pequena, precária, um local provisório. Como um abrigo típico, os meninos frequentavam a escola de manhã e, à tarde, um centro comunitário. Com o passar dos meses, constatou-se que o custo para manter o abrigo era alto e a situação, longe de ser a ideal para os menores. Eles não tinham a noção de morada, de lar, destruindo inclusive utensílios da casa e muitas das coisas que recebiam. Além de força de vontade, os envolvidos nos cuidados tiveram muita paciência na convivência com os acolhidos.  O profissionalismo do grupo e a solidariedade da comunidade de Alphaville foram fundamentais para o próximo grande passo: a aquisição do espaço onde hoje existe o Cepac.

Com muito esforço e a generosa colaboração de 16 membros da Diretoria, foi comprado o terreno da sede própria, no Parque Imperial, em Barueri. Fusao Takito, além de criador da logomarca do Cepac, foi o responsável técnico pelo projeto e pela obra do prédio da sede da organização. Grandes empresas também ajudaram. O Instituto C&A foi o primeiro doador financeiro e a empresa C&A é parceira até hoje, assim como a DuPont do Brasil, que veio em seguida. O projeto da nova casa no Parque Imperial saiu do papel em seis meses. Takito e José Tibúrcio acompanhavam a obra diariamente, e assim que foi possível transferiram os oito meninos que viviam na primeira casa alugada do Cepac para lá.

Na nova moradia a convivência melhorou, e quando os jovens se viram diante de condições mais adequadas, passaram a valorizar o que recebiam e mudaram seu comportamento gradativamente. Um casal que vivia no Cepac cuidava deles.  e foi responsável por transmitir noções de limite e obediência a regras; eles faziam o papel da família com a qual os jovens não conviviam.

“Além de oferecer algo para estes jovens, é preciso também ensiná-los a valorizar o que recebem. É preciso fazê-los perceber conceitos de cidadania, a respeitar o que é de todos e a cuidar e valorizar o que é recebido.” (Fusao Takito)

Com o passar dos anos, o Cepac teve visão estratégica ao projetar um poço artesiano para abastecer a organização. Tendo em vista os constantes problemas de abastecimento de água do bairro, essa foi a solução encontrada para minimizar o problema. Este poço inclusive serviu à comunidade do entorno muitas vezes, e não raro formavam-se filas para abastecer as casas do bairro quando faltava água.

A preocupação com as desigualdades sociais não ficava restrita apenas ao ambiente interno do Cepac. Um grupo de senhoras também se mobilizou nessa época, e se reunia para orientar as mães das crianças carentes, em quesitos como saúde, higiene e cuidados. Esse grupo frequentava creches em muitas cidades, e em pouco tempo criou cursos para habilitar voluntárias que iam à casa das famílias para prestar ajuda e transmitir conhecimentos. A empresa Schering do Brasil também colaborou com esse projeto, contratando médicos e outros profissionais que compartilhavam as informações com as senhoras voluntárias.

Depois de anos funcionando como abrigo, o Cepac se viu diante de uma reestruturação e tomou o novo rumo do que viria a se tornar, ou seja, um local de convivência que oferece estudo, alimentação e instrução. O abrigo permaneceu no Parque Imperial até o ano 2000, quando foi desativado e o local, adaptado para funcionar apenas como centro de estudos, e depois redimensionado para atender aos projetos sociais. No entanto em 2010, o Cepac assume novamente o atendimento do abrigo do município. Hoje a organização atende a comunidade em quatro projetos:
  • Semeando o Futuro
  • Profissionalizante
  • Aprendiz Cidadão
  • Acolhimento Casa Glorinha.
Saiba mais sobre cada um dos projetos nas próximas postagens, ou acesse nosso site wwwcepacbarueri.org.br.